//
você está lendo...
opiniao, tecnologia

Queimem esses livros, Rá!

Calma, não enlouqueci. Se você tem tendências pirotécnicas não leve o título do post a sério. Na verdade ele não tem nada a ver com o que falarei sobre os livros.

Vocês já pararam pra pensar sobre Livros + Tecnologia?

 

Eles chegaram para ficar

Porra, vivemos em um mundo onde todo dia acontece algo surpreendente no mundo tecnológico. É todo um novo vocabulário sendo formado, transmitido e cada dia mais massificado. É gadget pra lá, facetime pra cá, megabits, megabytes, pixels, LCD, tablets… Se pensarmos bem, dá pra fazer praticamente uns 3 parágrafos só com os termos que estão dominando o mundinho digital atualmente. Aí no meio de tudo isso você olha pra sua estante e… PÁ! Uma penca de livros. Mas calma, não estamos falando sobre a sua estante virtual do seu iPhone/Pad. Estou falando daquela trandicional, cheia de poeira, com seus livros lá, paradões, se transformando em viveiro de ácaros entre outras coisas.

Noves fora , ainda tem o fator “Árvore” que não foi posto em pauta. Quantas não foram derrubadas (foda-se reflorestamento nhé nhé nhé) para se ter por exemplo, os milhões de exemplares do novo Vade Mecum?

Aí, um dia desses comecei a pensar sobre o assunto e fui bolando umas idéias sobre como faria pra “resolver” essa parada.

Creio que alguns já devem ter em mente algo do tipo: “Lá vem ele, falar que é a favor de livros digitais e bla bla bla…” E eu lhe respondo SIM e NÃO. “What a fuck?!” É eu sei.

Tá espertão, então qual é o plano?

Livros Digitais!

Caralho,num falei? Descobriu a roda.

Pera lá, vamos com calma.

Também não podemos simplesmente matar os livros em seu tão tradicional formato para apenas dizer “Toma aí negada, agora é só na tela.” Creio que muitos aqui irão concordar com o que penso.

A idéia é simples e direta:

Livros Acadêmicos: Digitais

Obras Literárias: Digitais e Papel

Como no início do texto dei o exemplo do Vade Mecum vamos então utilizá-lo para ilustrar a minha idéia. Pra você que nunca teve a oportunidade de ver de perto um Vade Mecum taí ele.

 

Todo ano são impressos milhares

Olha quanto papel jogado fora

Se mesmo com a foto você ainda não tem noção do tamanho e expessura desse livro… Ele é uma Bíblia. Todo estudante de direito tem um debaixo do braço.

Pois é, esse maldito livro TO-DO ANO tem sua nova versão publicada. Todo ano milhares de pessoas vão até uma livraria para comprar o seu Vade Mecum já sabendo que no ano que vem outro mais atualizado estará no mercado (Ok, mesmo que tenha a atualização online para alguns, mesmo que tenha cadernos avulsos com novas leis, ementas…). Mesmo assim no outro ano será  a mesmíssima coisa. E aí você que tem o Vade Mecum antigo e comprou o novo vai fazer o que com o seu usado (depois de transcrever as anotações claro)?

Então pra que gastar árvores e mais árvores para produzir um livro nesse estilo? Por que não colocá-lo apenas como um livro digital e vender suas atualizações, versões, etc? E isso vale para todo e qualquer livro acadêmico.

Mudam-se leis, nomes de ossos do corpo (você ainda chama o ossinho do seu joelho de rótula?! Esqueça. O nome agora é simples e apenas patela), versões de software (tente aprender a usar o Adobe Photoshop CS5 com um livro do Adobe 4) Vocês já entenderam né?

Então pra que ainda colocar um tipo de produto nas prateleiras que ao ser lançado já será obsoleto?

Precisa-se substituir tudo isso por livros digitais. O pirralho usa o livrinho dele na primeira série (Ainda se fala assim?) e depois não vai usar na segunda. Depois dessa atualização em nossa gramática, quantos e quantos dicionários gigantescos Aurélio ou Houaiss não foram, literalmente, pro lixo pois já estavam editados e prontos para o mercado quando a lei entrou em vigor?

Se fosse um software, mesmo que desatualizado, ele iria para o mercado e ao chegar em casa o cliente baixaria a nova versão com as novas regras da língua portuguesa.

Colocando essa idéia em prática você mataria os livros no formato de papel? De jeito nenhum.

 

Clique e procure uma obra literária

Eu sou uma pessoa que gosta de folhear um bom livro. Mas não para estudos. Acho que o gesto, vício ou qualquer coisa que você queira chamar, de passar as páginas é fundamental na hora de apreciar uma boa literatura. E são esses tipos de livros que são imortais. Não importa se você ganhou um livro de Augusto dos Anjos que era da sua bisavó quando ela tinha 13 anos. A poesia está lá. Não é motivo de jogar fora os exemplares de Cem Anos de Solidão do Garcia Marquez pelo simples fato da gramática brasileira ter mudado. Afinal quem aí ouviu, leu ou soube de algum lote de obra literária que já havia sido publicada ter de ser devolvida por conta disso? Não vale livro paradidático, esses são pra estudos e não se pode ensinar o pirralho usando as palavras que antes eram certas e agora são erradas, vai foder com o cérebro da criançada.

Por mais que se mude leis gramaticais, por mais que se mudem capas, expessuras, traduções… As obras literárias continuarão sempre carregando a essência do autor. E com isso continuará sempre atual, pois esse tipo de livro é sempre novidade, sempre lançamento. E aí eu me lembro de uma frase que usei várias vezes quando trabalhava em uma livraria quando o cliente vinha me perguntar sugestões de livros para dar de presente. A diálogo quase sempre começava assim:

– Queria dar um livro de presente para meu pai.

– Você teria alguma preferência?

– Não, não sei o que dar.

– Compre pra ele Os Miseráveis de Victor Hugo (Acho foda esse livro, sempre indicava hehehe)

– Mas é lançamento?

– Não. É bem antigo, mas é muito bom, vale a pena

– Mas eu queria algo novo pra ele.

– Mas novo é tudo aquilo que você não conhece. Então se ele nunca leu esse livro, mesmo sendo de muito tempo atrás, será novidade pra ele. E vale muito a pena.

Geralmente com essa frase eu vencia o diálogo e o cliente levava o livro. Tudo bem que não levava a versão que eu achava mais foda e que custava R$245,00 mas levava uma outra mais em conta.

Então o espírito é esse. Quem gosta de um bom livro vai ainda querer comprá-lo na livraria, vai querer sentar na praia para lê-lo, vai sentar na varanda de casa ou então vai também ter a oporunidade de comprá-lo digitalmente e colocá-lo em seu tablet ou phone para lê-lo no metrô ou no intervalo to trampo sem problema algum. O que vale é continuar alimentando o cérebro mas ao mesmo tempo com uma política de fabricação de livros em que os descartáveis tornem-se apenas dados binários sendo transmitidos de um lado para o outro e deixando alguns milhões de árvores intocáveis.

PS:. Pessoas, claro que todo esse raciocínio leva em conta uma sociedade onde nas escolas as crianças tem acesso a um computador, onde em casa elas também tenham este computador, onde o cidadão é tratado com respeito e tudo mais. Não viajei na maionese para querer sair pela rua gritando “Morte ao livro acadêmico de papel”. Mas em determinadas sociedades atuais, isso já poderia ser colocado em prática e seria algo 100% funcional, mas mesmo nas mais desenvolvidas, ainda temos interesses maiores que barram esse avanço.

Discussion

2 thoughts on “Queimem esses livros, Rá!

  1. agreed. (but we have a greed…)
    tem uma frase dum senhorzinho chamado pedro que é dono de uma livraria que, nao sei se tu lembra, mas quando pedem a ele sugestão de livro novo ele oferece a Bíblia. Aí a pessoa “tá maluco?” aí ele “você já leu?” resposta “- não.” e ele “então esse livro aqui é novinho em folha pra você”. Bom, considerando que todo ano compra-se uns 90 reais sóóó no vade-mecum e que um kindle sai por uns 200 e tantos reais… não dá pra dizer que quem compra livros de direito ou acadêmicos em geral não tem como se digitalizar;) só os livrinhos escolares desse ano deram por lista mais de 1000 conto por aluno… imagina família com mais de 2 filhinhos? é um ipad e meio.
    Mas aí entra aquela história do interesse e do lucro… society, this crazy thing.

    Posted by joao | February 10, 2011, 5:33 pm
    • Justamente, tem muita coisa em jogo para que algo como esse que sugeri dê certo, principalmente no Brasil. Infelizmente.
      E muito bem lembrado quando vc disse que o gasto com livros escolares supera muitos aparelhos que podem ajudar muito estudantes em geral e de um jeito muito mais compacto e eficiente.

      Posted by Camillo | February 10, 2011, 8:29 pm

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: